SOODGI | Sobre os ombros de gigantes

Como e por que se transformar em uma máquina de ideias

CONTEXTO

Frequentemente vemos e ouvimos comentários sobre como o mundo está mudando cada vez mais rapidamente.

A divergência entre a velocidade com que a tecnologia se desenvolve e a mente humana opera talvez seja o principal ponto para termos a percepção de que o mundo está mudando rápido demais. Tecnologias podem avançar em escala exponencial, enquanto a mente humana opera a maior parte do tempo de forma linear.

Os impactos de novas tecnologias se expandem para todas as áreas, assim nada parece estar blindado a alguma grande transformação. Com isso surgem dúvidas, sendo que as que mais nos preocupam talvez sejam: meu trabalho pode ser extinto? Um robô pode fazer o que faço? O que devo aprender para prosperar no futuro?

Em última instância, a tendência aponta que estamos caminhando para uma sociedade totalmente sem empregos. Mas como o prazo que levaremos para chegar até esse nível é imprevisível – é válido lembrar que a “ameaça” do desemprego para atividades repetitivas e manuais está presente pelo menos desde a Revolução Industrial (que se iniciou em 1760) – devemos nos preparar para o período de transição. A Revolução Digital e a Pós-Digital continuaram acelerando esse processo, trazendo novas transformações, provocando tanto a extinção como o surgimento de trabalhos. A ideia de que alguns empregos do passado se tornaram habilidades hoje em dia é também importante. Tenha em mente o exemplo do datilógrafo: o que antes era um emprego, hoje é uma habilidade básica para quase todos os tipos de trabalhos existentes e foi até mesmo incorporada no uso cotidiano e pessoal.

O historiador Yuval Noah Harari (autor de Sapiens e Homo Deus) e empresários como Elon Musk (empresário, CEO da Tesla, Solar X, entre outras empresas) e Mark Zuckerberg (fundador do Facebook), vêm abordando as implicações deste tema. Renda básica universal é um assunto em pauta em vários países e inclusive já foi (ou está sendo) testado em projetos pilotos no Canadá, Finlândia, Holanda e Quênia. Neste sentido, é interessante notar o que a Estônia está fazendo como “única sociedade verdadeiramente digital que realmente possui um estado”.

Cada categoria de trabalho está exposta a um risco diferente de automação. Atendentes de telemarketing, por exemplo, são apontados com 99% de chance de serem automatizados. Terapeutas ocupacionais, por sua vez, possuem 0,035% de probabilidade. O artigo da BBC, intitulado “Will a robot take your job?” (“Um robô tomará seu trabalho?” em tradução livre) possui um guia com mais de 300 cargos diferentes e seu nível de risco de exposição à automação.

A base do artigo da BBC foi um estudo da Universidade de Oxford intitulado “The Future of Employment: How susceptible are jobs to automation(“O Futuro do Emprego: Quão suscetíveis os trabalhos são à automação” em tradução livre) feito pelos acadêmicos Michael Osborne e Carl Frey. Eles calcularam quão suscetíveis à automação cada trabalho é baseado em nove habilidades-chave necessárias para realizá-lo; percepção social, negociação, persuasão, assistência e cuidado com os outros, originalidade, belas artes, destreza dos dedos, destreza manual e a necessidade de trabalhar em um espaço de trabalho exíguo.

Em resumo, se no trabalho você precisa:

  • Negociar
  • Ajudar os outros
  • Vir com ideias originais
    Seu trabalho está a salvo da automação

Ou se no trabalho você precisa:

  • Se apertar em espaços pequenos
  • Montar objetos
  • Manipular objetos pequenos
    Seu trabalho está mais propício à automação

 

Mas enquanto a sociedade não atinge a automação plena, não temos renda básica universal e esse tema parece ser em parte apenas teórico (com influências sociais, políticas e filosóficas que demandam muita análise e, por ora, não há nada conclusivo), o desemprego é uma ameaça prática e constante para muitas pessoas.

Então, com base nas informações que temos o que podemos fazer? O intuito do SOODGI é justamente propor soluções para que possamos refletir e aplicá-las em nossas vidas da melhor forma. 

 

COMO NOS PREPARAMOS?

James Altucher aborda diversas estratégias em seu mais conhecido livro “Escolha Você – Transforme-se em uma máquina de ideias, aprenda a resolver problemas e ganhe dinheiro”.

Para ele, embora o contexto atual pareça ameaçador com o aumento do desemprego, estamos em uma era de oportunidades para aqueles com ideias únicas, que gerem valor real:

“[…] a classe média desmoronou, os empregos sumiram e todas as indústrias estão em processo de transformação. Para conseguir acompanhar tudo isso, as pessoas devem se transformar também.

Empresas simplesmente não precisam mais da mesma quantidade de pessoas para ser tão produtivas quanto antes. Estamos indo em direção a uma sociedade sem empregados. Ainda não chegamos lá. Mas chegaremos. E tudo bem.

Mais do que nunca, estamos vendo start-ups sendo financiadas, conseguindo clientes e tirando negócios dos monólitos corporativos que dormiram no ponto. […]

Não é preciso mais esperar que os deuses corporativos dos Estados Unidos, as universidades, a mídia ou os investidores desçam das nuvens e escolham você para ter sucesso. Em cada uma das indústrias, a figura do intermediário está sendo eliminada, gerando mais desemprego, mas também mais eficiência e mais oportunidades para que ideias únicas gerem valor real. Você pode desenvolver essas ideias, executá-las e escolher você para o sucesso.” [grifo nosso].

 

No capítulo “Como virar uma máquina de ideias”, Altucher tratando sobre o desenvolvimento do Corpo Mental, traz recomendações para o que ele chama de “Prática Diária do Músculo das Ideias”. Duas considerações aqui: a metáfora da geração de ideias como músculo é utilizada não somente para ele, mas muitos outros autores também fazem analogia semelhante, denotando a necessidade de uma prática regular para a escrita). Se você parar de utilizá-lo por longos períodos ele irá se atrofiar. Paralelamente, se você utilizá-lo diariamente, ele se fortalecerá. O autor complementa:

Quais são os benefícios de ter um músculo das ideias funcional? Você vira uma máquina de ideias. Não importa qual seja a sua situação, que problemas você tem na vida, que problemas seus amigos e colegas têm, você sempre achará soluções. E quando seu músculo das ideias estiver no auge do desempenho, suas ideias serão realmente boas, o que permitirá que você leve a vida que quiser.

Demora de seis meses a um ano para uma pessoa se tornar uma máquina de ideias com a Prática Diária do músculo das ideias.

Aqui lembramos de Thomas Edison: “o  gênio é um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração.”

A segunda consideração: a Prática Diária do músculo das ideias é parte de uma Prática Diária ampla que compreende além do corpo mental, os corpos físico, emocional e espiritual. Para o autor, desenvolver apenas um dos corpos em detrimento dos outros não trará resultados; o objetivo é manter um equilíbrio. Abordaremos o tema da Prática Diária mais ampla, compreendendo os quatro corpos, nos próximos textos do site. 

Voltando ao tema, as recomendações de Altucher são:

1 – Leia capítulos de 4 livros de assuntos diferentes por dia: Altucher comenta que em um dia leu partes da biografia de Mick Jagger, Regenesis (livro sobre engenharia genética), Pequenas delicadezas de Cheryl Strayed e Para viver os mitos, de Joseph Campbell. O objetivo é entrar em contato com temas diversos para estimular a criatividade a partir da combinação de ideias diferentes. Talvez o melhor termo para isso seja “serendipidade”. Steven Johnson em De onde vêm as boas ideias trata do tema com maestria e define o termo assim: A língua inglesa é abençoada com uma palavra maravilhosa que exprime o poder da conexão acidental: “serendipity”.

 

2 – Escreva dez ideias: “Para qualquer coisa. Não importa se são ideias para negócios, para escrever livros, para surpreender o parceiro na cama, ideias do que fazer se você for preso por roubo, para criar uma raquete de tênis melhor, qualquer coisa. O importante é que sejam dez ou mais. O objetivo é colocar o cérebro para trabalhar.” Não é necessário dar prosseguimento às ideias, mas uma sugestão é ao menos pensar em qual seria o próximo passo para executa-las. Esse exercício serve principalmente como uma atividade para sair da inércia. Lembre-se que a inércia é uma lei da física que se refere à propriedade de resistência que um corpo oferece à alteração de seu estado de repouso ou de movimento. Ou seja, no início será preciso muito esforço para começar a sair do lugar (para elaborar as ideais), mas depois de colocado em movimento (depois do hábito já instaurado), o movimento pode ser mantido com pouquíssimo esforço. Isso vale para várias outras áreas da vida. Faça a inércia trabalhar a seu favor.

 

3 – Seja um transmissor: este talvez seja o ponto do capítulo menos “claro” ou que pelo menos merecesse maior explicação. Altucher cita o exemplo de dois fazendeiros: ambos tiram água do poço que cada um construiu em sua respectiva propriedade. Um deles sempre que o poço seca precisa esperar por mais chuva para não morrer de sede, enquanto o outro fazendeiro não precisa se preocupar, pois seu poço foi feito para captar água de um rio subterrâneo. Para ele, ser um transmissor ou alguém que consiga acessar o rio subterrâneo, é necessário equilibrar todas as partes da sua vida (novamente, em referência A Prática Diária envolvendo os corpos físico, mental, emocional e espiritual). Um exemplo de prática para cada corpo: eliminar ou evitar relacionamentos ruins, eliminar ou limitar o consumo de álcool, cultivar uma sensação de momento presente (evitar ficar pensando em arrependimentos do passado e medos do futuro).

 

4 – Ative outra parte do seu cérebro: Altucher comenta que sua atividade básica diária é escrever, mas que um dia havia feito uma aula de aquarela com a esposa. Embora o resultado da pintura não tenha sido dos melhores, seu cérebro se sentiu ótimo. Fazer uma atividade não correlacionada com a sua principal atividade diária pode trazer benefícios de duas formas: a primeira é deixar sua mente trabalhar em modo associativo (ao tirar o foco das tarefas cotidianas) e operar como se estivesse em segundo plano buscando conexões com o que você já sabe, mas que por algum motivo ainda não conseguiu estabelecer uma ponte entre elas (mais sobre isso na citação de Steven Johnson no tópico 7 – Sacuda a poeira). A segunda é novamente estimular a serendipidade: ao fazer uma atividade nova você pode se deparar com algo que surpreendentemente se combine com uma necessidade sua. Tome o exemplo de Gutenberg, o criador da prensa que permitiu a produção em massa de livros impressos e economicamente rentável. Sua invenção foi uma combinação da sua experiência como joalheiro, onde dominou a arte da construção de moldes e da fundição de ouro e prata (os seus tipos, peças de metal ou madeira que representam uma letra ou um símbolo eram excelentes), com prensas usadas para espremer o suco das uvas na fabricação do vinho, pois a cidade onde nasceu ficava em uma região vinícola.

 

5 – Promova colisões: “Ideias copulam com outras ideias e geram ideias mirins. Leia outras ideias. Compare suas ideias novas às antigas. As melhores ideias surgem de colisões entre ideias novas e antigas.” Compare isto com o processo dialético – tese, antítese e síntese:

        1 – elabore uma tese (tenha sua ideia);

        2 – exponha sua tese à contrariedade, a quem pensa diferente de você, coloque-a a prova (compare sua ideia com suas ideias antigas/com ideias de outras pessoas, veja quais seus pontos de intersecção, como se complementam, como se anulam);

        3 – construa a síntese: com o passo 2 é possível descobrir quais são os pontos vulneráveis de sua tese, onde ela pode melhorar. A partir daí sua tese original sairá fortalecida, o que culminará na emergência de uma nova tese, a síntese.

Este conceito está vastamente relacionado à ideia de Antifragilidade.  

 

6 – Não se pressione: “Se você se pressionar para transformar toda e qualquer semente na planta mais maravilhosa que o mundo já viu, você estará fadado à exaustão e à decepção. Você conscientemente fez tudo que podia, agora é hora de deixar as forças invisíveis da vida trabalharem as sementes.” O objetivo é trabalhar o músculo de ideias ao ponto em que você possa ter ideias em abundância. A maioria das suas ideias não vai prosperar, mas se uma delas der certo com certeza terá valido a pena. Ainda sim, lembre-se que os erros são fonte de aprendizado, como o “mantra” das startups: Fail Fast, Learn Fast (falhe rápido, aprenda rápido). A história de Thomas Edison é outro exemplo. Ao ser perguntado por um visitante em seu laboratório se não era uma vergonha após tantas tentativas não ter chegado a nenhum resultado para o experimento que conduzia, ele respondeu: “Resultados?! Eu cheguei a milhares de resultados! Eu sei milhares de coisas que não funcionam!” Bem, eventualmente pelo menos uma coisa funcionou, e não à toa, é considerado um dos maiores inventores de todos os tempos. Foque no processo e não no resultado. Foque no que você pode controlar. (Mais sobre isso em futuras publicações, mas caso tenha interesse procure por obras que falem sobre estoicismo. O livro O obstáculo é o caminho de Ryan Holiday é um ótimo ponto de partida).

 

7 – Sacuda a poeira: basicamente a mesma ideia do tópico 4. O autor comenta que tem uma rotina diária bem rígida: “acordo, leio, escrevo, faço exercícios, me alimento, faço reuniões (por telefone ou pessoalmente) e então reverto a sequência: me alimento, escrevo, leio e durmo”. Então, quando se depara com algo que não está evoluindo, ele tenta algo diferente: “talvez caminhar às 5 da manhã em vez de ler. Talvez dormir em duas sessões de quatro horas. Talvez passar o dia escrevendo cartas à mão em vez de usar o computador.”

Steven Johnson recomenda:

“A história da inovação está repleta de relatos sobre boas ideias que ocorreram quando as pessoas estavam fazendo um passeio. (Um fenômeno semelhante acontece quando passamos um longo tempo debaixo do chuveiro ou mergulhados numa banheira; na verdade, o momento “eureca” original – quando Arquimedes atinou com uma maneira de medir o volume de formas irregulares – ocorreu numa banheira.) O banho ou o passeio nos tiram do foco centrado em tarefas da vida moderna – pagar contas, responder a e-mails, ajudar as crianças com o dever de casa – e nos inserem num estado mais associativo. Se nos for dado tempo suficiente, nossa mente irá deparar muitas vezes com alguma velha conexão que não notávamos havia muito, proporcionando aquela deliciosa sensação de serendipidade íntima: por que não pensei nisso antes?”

 

8 – Liste as suas paixões de infância: Altucher diz que com 6 anos era apaixonado por quadrinhos e mitologia grega. Na faculdade estudou francês e até chegou a morar na França. Na época da escrita de Escolha Você (com cerca de 45 anos) ele não se lembrava de nenhuma palavra em francês, com exceção de “oui”, mas que ainda se lembrava muito bem dos quadrinhos e livros que leu aos 6 anos.  “Apenas lembramos daquilo pelo que somos apaixonados. De certa forma, essas coisas são como o campo onde as ideias florescem e são colhidas. Todo o resto seca por dentro e morre. Tente se lembrar das coisas pelas quais você era apaixonado, começando dos 5 anos até agora. Você vai se surpreender com a quantidade de coisas e com as formas com que essas paixões podem ser cruzadas e combinadas umas com as outras para gerar novas paixões e ideias.”

 

9 – Navegue pela internet: Altucher recomenda simplesmente que “com todo o conhecimento do mundo a um clique, às vezes é legal ser sugado pelo buraco da Alice e viajar pelo País das Maravilhas. Alguns bons pontos de partida são o BrainPickings.org e o TheBrowser.com.” Os tópicos 1, 4, 7 e 9 podem ser classificados na mesma categoria: serendipidade. Para Johnson “a arquitetura da serendipidade reside em tropeços com conexões surpreendentes”. O objetivo é se expor a conteúdos que possam estimular sua mente a gerar novas combinações. Cuidado apenas com a linha tênue entre ócio criativo e procrastinação.

Embora o passeio criativo ajude a gerar novas combinações serendipitosas de ideias já existentes em nossas mentes, podemos também cultivar a serendipidade no modo como absorvemos ideias do mundo exterior.

Outras recomendações interessantes mencionadas no livro logo na sequência são de leitores de seu blog que o responderam quando ele as pediu que lhe “ajudassem a ter mais ideias de como continuar tendo ideias”:

“Três coisas para quando não consigo ter ideias:

  1. Faço uma busca no Twitter. Procuro frases como ‘eu queria’, ‘acabei de pagar alguém para’, ‘é o pior produto’, ‘é uma empresa terrível’, ‘tem um site ruim’, ‘é meu site preferido’, ‘alguém sabe como’. A partir dos resultados, começo a pensar em como satisfazer as necessidades das pessoas ou como aquele site ou empresa poderia ser menos terrível.
  1. Confiro as ofertas do Groupon. Muitas empresas que usam o Groupon estão em dificuldades para encontrar clientes e precisam de ideias criativas. Dou uma olhada nas ofertas do dia e vejo se consigo achar ideias para promover a empresa ou para melhorar o produto deles.
  2. Eu me concentro totalmente e pratico a escrita livre. De modo geral, prestamos a mínima atenção possível ao realizar as tarefas cotidianas. Na hora de gerar ideias, ter insights, fazer observações, meu foco é total. Coloco o cronômetro para tocar em 25 minutos, foco e escrevo livremente sobre um único tópico. Normalmente traz ideias que eu nunca teria imaginado.” Ben Nesvig

[COMENTÁRIO SOODGI: os 25 minutos são uma referência à Técnica Pomodoro. Um resumo: escolha uma tarefa, coloque no cronômetro 25 minutos e foque esse tempo exclusivamente em executá-la. Tire 5 minutos de descanso (faça algo descorrelacionado à tarefa anterior: alongue-se, tome água, vá ao banheiro, ouça uma música, o que preferir). Depois intercale com mais 25 min. e 5 min. de cada, até completar um ciclo de 4 repetições (25 min. x 4 + 5 min. x 4). Após o ciclo completo, faça um descanso de 15 min. à 30 min. A execução da tarefa não precisa necessariamente se dar em 25 min., experimente e descubra o tempo que melhor se adapte à sua tarefa e a você. Pode ser que 30 min. sejam ideais, 15 min. ou apenas 10 min. Você escolhe. Mais sobre métodos para gestão de tempo em próximos artigos.]

“Gosto de acessar o YouTube e digitar uma palavra relacionada a algo que eu não saiba nada a respeito ou a um assunto que me interessou naquele momento e sobre o qual eu gostaria de saber mais. Aí assisto um vídeo sobre isso. O risco é perder tempo assistindo um vídeo tosco… O lado bom não tem limites. Depois de um tempo seus instintos melhoram e você consegue discernir quais vídeos são melhores. O YouTube, como grande parte da internet, é um baú de tesouro de informações sobre quase qualquer assunto, e só isso já é o básico da geração de ideias e do exercício do músculo da mente.” Pat P

“Pense em alguém inspirador, mas que você não conhece, e descubra uma maneira de entrar em contato. Mande um recado pelo LinkedIn ou pelo Facebook, procure no Twitter. Mas pesquise sobre a pessoa antes. Garanto que uma conversa rápida ou uma troca de e-mails com alguém inspirador também vai inspirar você. Entrar em contato com alguém que fez o impossível ajuda a perceber que suas ideias são possíveis e inspira você a fazer mais. Não subestime o poder da sociabilidade.” Kevin Faul

Altucher não se aprofunda muito em fundamentações teóricas de cada uma de suas recomendações; sua abordagem costuma ser bem prática e baseada, na maior parte das vezes, em suas próprias experiências. O que não necessariamente é algo ruim, pelo contrário, traz valor ao livro, pois o autor tem uma biografia no mínimo curiosa:

O ano de 2008 foi uma cópia exata de 2002. Consegui me reerguer. Fundei e vendi outra empresa. Ganhei muito dinheiro e, esbanjando como um idiota, desperdicei tudo. De novo. Só que dessa vez eu estava me divorciando, perdendo ainda mais amigos, fracassando em duas outras empresas ao mesmo tempo e não tinha ideia do que fazer para sair do buraco que eu mesmo havia cavado.

Esse tipo de coisa não aconteceu comigo apenas uma vez. Ou duas. Foram muitas vezes. Nos últimos vinte anos, fracassei em cerca de dezoito dos vinte negócios que comecei. Devo ter mudado de carreira umas cinco ou seis vezes, em vários setores, desde softwares até finanças e mídia. Escrevi dez livros. Perdi muitos empregos. Fiquei arrasado, derrotado, suicida, desesperado, ansioso, deprimido. E em todas as vezes tive que me reinventar, reinventar meus objetivos e minha carreira.

 

INDO ALÉM

Para se aprofundar no tema criatividade, recomendamos “de Steven Johnson. Este livro tem uma abordagem bem diferente a de Escolha Você. Johnson apresenta uma base teórica forte, com exemplos históricos que vão desde Charles Darwin (autor de A Origem das Espécies e da Teoria da Evolução) a Tim Berners-Lee, conhecido como o “pai da Internet” (mais especificamente foi o criador da World Wide Web). Além de comentários sobre empresas reconhecidamente inovadoras como Apple e Google.  Johnson recomenda no capítulo de conclusão:

Faça uma caminhada; cultive intuições; anote tudo, mas mantenha suas pastas em desordem; abrace a serendipidade; cometa erros produtivos; cultive diversos hobbies; frequente cafés e outras redes líquidas; siga os links; permita que outros se baseiem em suas ideias; tome emprestado, recicle, reinvente. Construa uma ribanceira emaranhada.

 

LIVROS (mencionados ao longo do artigo):

Antifrágil – Nassim Nicholas Taleb

Escolha Você – James Altucher

O Obstáculo é o caminho – Ryan Holiday

De onde vêm as boas ideias – Steven Johnson        

Homo Sapiens – Yuval Noah Harari

Homo Deus – Yuval Noah Harari

 

SITE:

Writing Routines: site com diversos artigos e entrevistas com autores renomados falando sobre o processo de escrita, geração de ideias e como lidar com o “writer’s block” (bloqueio de ideias ou bloqueio criativo).

 

VÍDEO:

Documentário Everything is a Remix de Kirby Ferguson. “Kirby dá seu ultimato: “Criatividade não é magia”. Uma alerta para que nos livremos do fardo de que toda ideia inventiva é algo único e genuíno e que descartemos qualquer pioneirismo. E quem disse que um “remix” ou “cópia” é algo indigno e repulsivo? Real gênio é o que consegue copiar, transformar e combinar elementos diversos para a partir daí ressignificar a experiência. (Re)invenção é a chave!” citação retirada daqui.

 

Política de transparência:

Imagem de capa de nugroho dwi hartawan por Pixabay

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