SOODGI | Sobre os ombros de gigantes

A opção de subtrair para obter mais

A sociedade é formada por padrões muito bem definidos. Um deles é que pra sair do ponto A e chegar ao B e ser mais feliz, o indivíduo precisa adicionar algo.

Para falarmos sobre adição vamos utilizar a conhecida pirâmide de necessidades de Maslow.

Na base da pirâmide está a necessidade básica e intrínseca do ser humano (necessidades fisiológicas). Sem ela não há o que se falar de adição ou subtração, mas a partir do 2º bloco de necessidades (segurança), atingimos o ponto menos palpável e mensurável que varia a cada pessoa. Neste contexto, os padrões da sociedade nos levam a buscar o sentimento de plenitude e preenchimento das necessidades através do consumismo, seja através de bens materiais, sentimentos, pessoas, etc.

A expressão “sociedade de consumo” nasceu nos anos 1920 e popularizou-se entre 1950 e 1960. Um tipo de consumo puramente materialista que coloca o dinheiro acima de todas as coisas na vida. O irônico é que esse consumo proporciona uma felicidade pontual, porém não é prazeroso a longo prazo, o que faz a pessoa cair inconscientemente numa verdadeira corrida de rato na roda, buscando o próximo prazer momentâneo para satisfazer sua felicidade e reafirmar seu bem-estar social.

A ALTERNATIVA DE SUBTRAIR PARA OBTER MAIS

A subtração é a opção para aqueles que buscam mais tempo e espaço mental para otimizar suas vidas, se livrando do que não faz falta e mantendo o que os fazem verdadeiramente felizes.

Ao falarmos de subtração, um primeiro ponto a destacar é que não se trata apenas de bens materiais. O conceito se aplica a tudo que possa existir de maneira supérflua em sua vida, abrangendo sentimentos, pensamentos, alimentação, etc.

Outro ponto importante é que não se trata de viver com privação ou de maneira mesquinha: você tem uma coleção de 200 livros que adora? É ok manter. Você tem 50 camisetas e usa apenas 10. Hum?! Talvez seja hora de repensar.

Vamos falar de algumas áreas onde podemos exemplificar o conceito:

Decisões

Quando alguém lhe propõe algo você já passa a ter algo adicionado em sua vida. Se você responde “sim” a adição está mantida, quando fala “não” está subtraindo. Muito cuidado em viver uma vida em razão das necessidades dos outros.

Pensamentos

Muitas vezes estamos presos em pensamentos de coisas ocorridas no passado e de repente estamos lá no futuro pensando em como as coisas serão. Sem perceber estamos fazendo uma atividade de maneira automática já ansiando pela próxima atividade e assim sucessivamente. Se conseguirmos focar mais no presente, liberamos muito espaço mental para pensarmos no que importa verdadeiramente e que podem trazer ganhos reais para nossa vida.

Sentimentos

Raiva, ciúme, inveja? Não vamos aqui bancar os monges tibetanos e dizer para eliminar todos os sentimentos ruins da sua vida. A questão é estar ciente de como esses sentimentos se apresentam para você, reconhecer o quão inúteis eles podem ser e tentar aos poucos quebrar o ciclo que os trazem à tona. É uma missão muito difícil? Sim! Mas pode ter certeza que reconhecer esses sentimentos, não se apegar e buscar reduzi-los ao máximo lhe poupará muita energia vital.

Vestuário

Podemos adquirir roupas, calçados e acessórios por diversos motivos e de repente nos depararmos com um guarda roupa repleto de roupas que eram perfeitas naquele(a) ator/atriz ou influenciador(a) mas não faz sentido verdadeiro para você. Não seria um caminho interessante ter 3 blusas de alta qualidade que você usará sempre, ao invés de 15 blusas das quais 12 ficarão com cheiro de mofo no guarda roupa?

Além da questão do espaço ocupado na casa, pense no dinheiro e no tempo gastos para adquirir as peças sobressalentes. Pense no tempo e desgaste mental para olhar 15 peças de roupa para no final das contas escolher sempre as mesmas.

Tecnologia

Será que usamos todos os aplicativos que temos instalados no celular? Quando abrimos um app, principalmente os de rede social, há um propósito claro do porquê estamos fazendo isso, ou será apenas uma distração sem motivo? Deixar a caixa de e-mail abarrotada? Assinar 300 newsletters? Precisamos sempre estar disponíveis, respondendo instantaneamente todas as pessoas que nos enviam mensagens de “whatsapp”?

EM RESUMO

Deixando claro que, apesar de mencionado ao longo do artigo, o dinheiro nunca foi o problema. Não importa quanto você tem no banco. Cada pessoa tem seu próprio background e suas necessidades e cabe a cada um de nós o trabalho de buscar internamente o que nos preenche verdadeiramente, descartando as soluções ilusórias.

Os movimentos chamados de minimalismo, essencialismo, entre outros, é o resultado da subtração que traz uma espécie de liberdade, seja material ou mental, que nos permite focar realmente no que importa, buscando uma vida com mais propósito.

E aí?! Qual seu estilo de vida atualmente? Entre em contato conosco e conte sobre o seu estágio atual e o que pensa sobre isso.

Como recomendação deixamos o documentário Minimalism, que aborda os conceitos deste artigo através do depoimento de especialistas, além de histórias de vida de pessoas dedicadas a rejeitar o ideal americano de que adicionar mais e mais coisas traz felicidade, sendo a história principal sobre Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, autores do livro Minimalism: Live a Meaningful Life.

Imagem de capa:

Photo by bongharn thanyakij from Pexels

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